Últimas Notícias

Aproximar produtos, produtores, chefs e cozinheiros do público. Aqui o Projeto Aproxima traz o que acontece no dia a dia do campo, nas cozinhas dos melhores estabelecimentos de Minas Gerais e apresenta os principais movimentos que buscam valorizar nossa gastronomia.

Confira as notícias mais importantes daqueles que fazem parte do Projeto Aproxima e como eles trabalham diariamente com o cultivo e com a transformação dos melhores produtos mineiros.

O poder do lugar

O poder do lugar

Terroir Central

22 . dez . 2016

Por Priscilla Magalhães Gomes Lins

A sociedade está repensando o capitalismo de uma forma bastante interessante. Esta enorme mudança de paradigma aparece também na transformação do papel das organizações, dos governantes e da própria sociedade. A premissa central passa a ser, além da competitividade das empresas, a saúde das comunidades e do entorno delas, tornando o desenvolvimento mutuamente dependente. Sendo assim, reconhecer e capitalizar essas conexões constitui o poder de desencadear a próxima onda do crescimento global e a redefinição do capitalismo, amplamente analisada na teoria do Valor Compartilhado de Porter.

O Valor Compartilhado surge como uma nova abordagem para instrumentalizar o relacionamento entre as empresas e a sociedade, redefinindo as fronteiras do capitalismo. Ao conectar o sucesso da empresa com o progresso da sociedade, surgem novas formas de colaboração, de ganho de eficiência e de diferenciação, culminando na expansão dos mercados.

Esta nova abordagem vem mudar a maneira em que os negócios vêm sendo conduzidos. É uma forma de trazer inovação e crescimento aos negócios, reconectando as empresas ao sucesso financeiro, com o reconhecimento das comunidades que as rodeiam, sem perder de vista um profundo entendimento de competição e criação de valor econômico. Esta nova evolução do modelo capitalista reconhece novos e melhores modos de se desenvolver produtos, servir mercados e construir empresas produtivas.

É neste cenário que surge uma grande oportunidade de desenvolvimento de territórios. Eles têm se utilizado da estratégia de Identidade e Origem para se diferenciarem e preencherem importantes lacunas de posicionamento e reposicionamento de lugares e produtos, exatamente como fizeram algumas empresas. Sempre motivadas por um propósito relevante, pela diferença que querem fazer no mundo, considerando o engajamento da comunidade local.

A construção de valor pela Identidade e Origem relacionada a produtos, passa pela percepção e compreensão do consumidor de que aquele produto é único e que tem uma procedência também única – as Origens Produtoras. Para o mercado de alimentos, ou para os produtos do agronegócio de uma forma mais abrangente, o conceito de Identidade e Origem tem evoluído e se tornado cada vez mais importante. As bem-sucedidas Indicações Geográficas europeias demonstram isso e, no Brasil, as recentes iniciativas de Origens Produtoras também apresentam um futuro promissor.

Esta lógica de desenvolvimento não é trivial e necessita de transformações profundas nas atitudes dos atores do território. É preciso que o foco anteriormente dado ao produto, no qual a Origem é reconhecida, dê lugar ao foco na Região, nos produtores e nas ofertas diferenciadas que a Origem gerará. É necessário que os representantes de classe compreendam seu importante papel de influenciadores da transformação e não apenas o de representar. Os produtores devem agir como empreendedores e não como produtores tradicionais. As ações de marketing e promoção precisam se transformar em experiências desejadas pelos consumidores. As transações comerciais devem se transformar em relacionamentos verdadeiros. E, finalmente, é imprescindível que o jargão “agregar valor”, se transforme em “Valorizar” e “Compartilhar”. Chegou o momento para uma visão ampliada da geração de valor e do Valor Compartilhado.

Fato é que as Origens Produtoras estão se mobilizando. Muitas motivadas pelos próprios consumidores, que tem buscado o que é local, autêntico, transparente, ético, artesanal, simples, exclusivo, que tenha história e que proporcione novas experiências – a busca pela procedência, pela origem ou pela necessidade de dinamizar o território.

Atuar com a estratégia de Origem movimenta o território, move as pessoas e os negócios e gera transformações importantes. Este movimento é capaz de criar uma percepção positiva nas pessoas do lugar, aumenta a autoestima e gera engajamento e atitudes concretas de desenvolvimento, apoiadas por investimentos públicos e privados que se tornam uma realidade.

E já temos bons exemplos no Brasil. As Origens Produtoras de Café no Cerrado Mineiro, nas Matas de Minas e na Mantiqueira de Minas, as Frutas do Jaíba, Hortifruti em São Gotardo a Cachaça da Região de Salinas e o Queijo da Canastra são exemplos bem-sucedidos que contam com uma estratégia bem definida, de curto, médio e longo prazos, com ações inovadoras, métricas e indicadores. Os resultados são concretos e o transbordamento já é percebido pelas empresas e a sociedade.

O Sebrae tem sido o estimulador destas iniciativas, buscando promover o desenvolvimento das regiões, sem nunca perder de vista que a estratégia de Identidade e Origem para ser bem- sucedida, deve ser de cada um dos seus habitantes, daqueles que fazem parte da essência do lugar. Esta estratégia tem conseguido engajar empresários e comunidade em torno de um projeto comum, a partir da diferenciação e valorização dos seus produtos e serviços e gerando Valor Compartilhado.

____________________
Priscilla Magalhães Gomes Lins é Analista Técnico – Unidade de Agronegócios / Sebrae Minas