Últimas Notícias

Aproximar produtos, produtores, chefs e cozinheiros do público. Aqui o Projeto Aproxima traz o que acontece no dia a dia do campo, nas cozinhas dos melhores estabelecimentos de Minas Gerais e apresenta os principais movimentos que buscam valorizar nossa gastronomia.

Confira as notícias mais importantes daqueles que fazem parte do Projeto Aproxima e como eles trabalham diariamente com o cultivo e com a transformação dos melhores produtos mineiros.

FEIRINHA APROXIMA FAZ HOMENAGEM AO SERRO

FEIRINHA APROXIMA FAZ HOMENAGEM AO SERRO

Terroir Central

07 . nov . 2017

A cidade do Serro, também conhecida como a “Terra do Queijo”, será o tema da Feirinha Aproxima de novembro, que será realizada no dia 11 de novembro, no entorno do Museu Histórico Abílio Barreto (ruas Bernardo Mascarenhas e Josafá Belo), no bairro Cidade Jardim, em Belo Horizonte. O tema foi escolhido pela importância gastronômica da região, com sua culinária mineira de raiz, quitandas, marmeladas, cachaça e, claro, sua grande produção de queijos.


“Queremos trazer o Serro para BH”, destacou o idealizador do Projeto Aproxima, o chef Eduardo Maya. Para isso, a Feirinha Aproxima Especial Serro irá trazer produtores de queijos, quitandeiras, doceiras e até um produtor de fubá de moinho d’água, também tradicional na região. Serão contemplados, ainda, os distritos de Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras, além do município vizinho de Santo Antônio do Itambé.

Para ajudar a incentivar a economia local e valorizar os pequenos produtores, os expositores dessa edição foram convidados a fazer pratos com pelo menos um ingredientes do Serro. Além disso, haverá uma grande barraca com produtos típicos da região (empório) e uma cozinha montada com fogão a lenha. Ao todo, serão mais de 10 barracas de comida, repletas de história e sabores regionais.

Na barraca principal, será feita uma homenagem a Dona Lucinha, legítima representante da culinária do Serro. O restaurante que leva seu nome, hoje administrado pelas suas filhas, a chefs Márcia e Elzinha Nunes, se tornou uma referência mundial da comida tradicional mineira. Dona Lucinha foi a primeira chefe de cozinha do Brasil a ser convidada três vezes para ir aos EUA como representante da América Latina, através do Movimento Slow Food, que celebra a comida saudável. E, em 2015, foi inspiração para o enredo da Salgueiro, que homenageou os sabores e saberes da comida de Minas.

feirinha aproxima especial serro novembro eduardo maya projeto aproxima dona lucinha

“Nossa gente é guardiã de modos e costumes alimentares que testemunham o período de formação da típica cozinha de Minas. Situada no alto do espinhaço, passado o burburinho do ciclo do ouro e do diamante, o tempo quase que parou por ali. Guardou-se tradições do que ia para o prato, para as caixetas, do que era do campo, da quitanda, das hortas, dos quintais, dos pomares, das tachas de melado para o preparo da rapadura. Guardou-se e refinou-se a sabedoria queijeira e da alambicagem da cana. Nossa cozinha é tecida de história, memória e olha para o futuro grávida de consciência de si”, destaca Márcia Nunes, filha de Dona Lucinha.

Entre as delícias que serão levadas pelo restaurante Dona Lucinha para representar essa tradição estão o bombocado de queijo, o fubá suado, a jacuba, a broa de fubá de canjica, o tropeirinho, a farinha torrada, o pé de moleque, o doce Zezé Leone, o biscoito frito, o queijo do Serro com mel trufado, a linguiça de torresmo, entre outras. Haverá também a galinha de doce de leite da Maria Autusta, o pastel folhado da Dalva, o fogão à lenha do Ronaldo e a cutelaria do Duilio Guerra.

Já nas barracas de bebidas, o público irá encontrar as tradicionais cachaças da região, além de vinhos mineiros e cervejas artesanais, que estão presentes desde a primeira edição da Feirinha Aproxima.

E, como já é tradicional da Feirinha Aproxima, haverá também atividades lúdicas para as crianças, relacionadas ao tema do evento.

O queijo do Serro

De acordo com a advogada e pesquisadora Maria Coeli Simões Pires, autora do livro “Memória e arte do queijo do Serro – O saber sobre a mesa” e sócia fundadora da Associação de Amigos do Serro (AASER), a tradição do queijo do Serro teve início há mais de dois séculos. A técnica queijeira, trazida para o Brasil, no século XVIII, por portugueses, foi adaptada ao ambiente das fazendas para dar suporte à promissora exploração de ouro na região. Com a queda do ciclo do ouro, a atividade agropecuária foi intensificada, e a produção do queijo passou então a garantir a base da economia no município e na região.

“O queijo se enraizou de tal forma na identidade da região serrana, que foi ardorosamente defendido como forte expressão cultural, resultando no reconhecimento da técnica queijeira serrana como bem imaterial da cultura do Estado e do Brasil. Um título que oficializa o seu valor como ícone da cultura, certamente um passaporte do produto do ‘terroir’ do Serro para as mesas internacionais”, ressalta Coeli.

Para ela, o que diferencia o queijo do Serro dos demais é o sabor peculiar, o aroma, a consistência da massa, o modo de reação quando é curado ou fundido, dentre outras peculiaridades. “Diriam os especialistas que a identidade vem da maior umidade e da acidez muito característica. O certo é que os fatores determinantes dessa especificidade são inúmeros e remetem ao que os franceses chamam de ‘terroir’, que envolve condições climáticas e geológicas, mas também o ‘savoir faire’”, completa.

No caso do queijo do Serro, o “terroir” envolve, além das características da pastagem, do clima, do relevo, das peculiaridades do rebanho, o saber fazer, isto é, a técnica queijeira. Alguns atribuem a caracterização do queijo, sobretudo, à cultura láctea utilizada na sua elaboração, o famoso pingo.

Em 2011, o queijo do Serro recebeu o registro de indicação geográfica, garantido pela Lei n. 9.279/96, assegurando aos produtores da região o direito exclusivo de identificá-lo pela localidade. “Ele é, certamente, o carro chefe, uma vez que, além de consumido in natura, está presente na maioria das receitas serranas. Ele entra sem cerimônia em qualquer prato, doce ou salgado”, ressalta Coeli.

Sobre o Serro

Localizada na Serra do Espinhaço, região centro-nordeste de Minas, a cidade do Serro fica a 230 km da capital. O município também faz parte do Circuito dos Diamantes, dentro do roteiro de Turismo Rural, onde os visitantes podem passear pelas antigas fazendas de produção de queijo e da cachaça mineira.

“O Serro como cidade tricentenária, com fortes influências do Brasil Colonial e do Brasil Império, com tradição de famílias numerosas e fiéis às suas raízes, não só preserva seus modos de fazer e a intimidade da cozinha, como também contribui para a valorização da culinária e para a disseminação do conhecimento nesse campo, especialmente por meio de empreendedores emblemáticos, como Dona Lucinha, assim como por meio de trabalhos de pesquisa e iniciativas que transcendem o interesse local da culinária serrana”, conclui Maria Coeli.

O queijo do Serro, assim designado o queijo da região geográfica do Serro, que envolve cerca de dez municípios produtores, tem grande relevância nesse campo. Trata-se de um produto tipicamente artesanal, com forte identidade, apreciado por diversos “Chefes de Cuisine” e “Gourmets”.

Fotos Serro e Dona Lucinha / Divulgação
Foto Queijos: Eduardo Tristão Girão.