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Cafeteria: O terceiro lugar

Cafeteria: O terceiro lugar

Terroir Central

29 . nov . 2017

Danielle Fantini Lima Santos – Analista Técnico –  Unidade de Agronegócios / Sebrae Minas

Um dos conceitos do mundo do marketing, hoje, é a ideia do terceiro lugar. Temos pelo menos dois lugares onde passamos a maior parte do nosso tempo.

O primeiro é a nossa casa. Todos nós adoramos nossa casa, onde passamos a maior parte do nosso tempo. O segundo lugar é o nosso trabalho ou escola. Todos temos que trabalhar ou estudar. E acabamos passando uma grande parte do nosso tempo lá.

O terceiro lugar, no entanto, é o lugar que vamos porque escolhemos estar presentes. As pessoas elegem este terceiro lugar para se divertir, se conectar com mundo, para verem e serem vistas, porque gostam de estar lá. Para alguns, pode ser uma academia, um restaurante, um parque, uma cafeteria…como foi o caso da Starbucks, que disseminou este conceito desde sua primeira loja, em Seattle.

O Relatório Internacional de Tendências do Café, de dezembro de 2016, apontou a consolidação da Terceira Onda, ligada à percepção do café como produto artesanal, diferenciado por inúmeros atributos tais como qualidade, origem, torra e método de preparo, que é comercializado de forma mais direta entre os elos da cadeia produtiva. E que também é consumido em lugares especiais.

Belo Horizonte, a capital mineira do pão de queijo, tem feito uma bela dobradinha entre este produto e um bom café, normalmente em estabelecimentos que buscam proporcionar uma experiência diferente para seus clientes. Hoje, na cidade, é fácil encontrar cafeterias que servem um café com as características acima citadas. Impulsionado por consumidores cada vez mais preocupados com a origem e com o crescimento dos produtos artesanais, o fenômeno da Terceira Onda chegou de vez à cidade.

Este conceito também se conecta a um outro aspecto – o da saudabilidade. O consumidor opta, cada vez mais, pela combinação do alimento mais gostoso com o mais saudável.

A decisão de compra do consumidor mudou muito e tem sido, cada vez mais, de comprar um alimento com mais atributos. Podem até ser mais caros, mas se for carregado de história, experiência, exclusividade e sustentabilidade, são reconhecidos e valorizados pelos clientes. Esta tendência tem sido uma grande oportunidade para a propagação deste modelo de cafeterias.

A abertura de cafeterias especializadas em extrair o melhor do grão mostra que a busca por cafés especiais se firma como uma realidade de mercado, e não mais uma tendência. Trata-se de um enorme potencial a ser explorado, uma vez que, pouco mais de uma dezena de casas na capital mineira oferece ao cliente informações sobre o café especial. O cliente passa a conhecer sobre a origem do grão, suas características, histórias do produtor e modelo de produção, até a escolha do método de preparo – do tradicional cafezinho de coador a extrações mais sofisticadas, como aeropress, chemex e prensa francesa.

Estes consumidores estão afoitos por informações e valorizam também o contato com o barista, profissional que prepara o café e é capacitado para falar sobre as peculiaridades de cada tipo de café e os métodos de extração.

A carta dos cafés servidos nestes estabelecimentos é vasta e renovada com frequência e a variedade dos grãos disponíveis para os clientes é de alta qualidade.

Outro ponto que vale a pena ser destacado é que algumas das cafeterias já comercializam os equipamentos e insumos para o preparo do café em casa, o que mostra o interesse das pessoas em aprofundar conhecimento e aumentar o consumo de cafés especiais.

Um outro modelo de negócio que já pode ser visto nas ruas de Belo Horizonte são as nano cafeterias. São espaços pequenos, de aproximadamente 2 m², que também podem ser conhecidas como cafeterias “to go”. São balcões de atendimento voltados para calçada e, apesar do tamanho, oferece grãos nobres que chegam às xícaras saídos de máquinas de espresso italianas, as mesmas utilizadas nas melhores cafeterias do mundo. Estas cafeterias estão em consonância com a tendência do “poupe meu tempo”. O cliente otimiza seu tempo consumindo o produto enquanto realiza outra atividade. Nos dias de hoje, tempo é dinheiro!

O fundamental nisso tudo é que as cafeterias continuem a oferecer uma experiência única e diferenciada, principalmente voltada para o consumo de café de origem, com histórias e atributos que surpreendam e atendam, cada vez mais, as expectativas e necessidades dos consumidores. Está servido?